Uma segunda-feira, duas e meia da tarde
Eu fechei o computador, fui jogar bola com meu filho e entendi por que estava mudando de vida.

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Deixa eu te contar uma coisa muito simples que aconteceu há poucos dias. Era uma segunda-feira, por volta de duas e meia da tarde, quando chamei o Miguel para jogar bola.
Estava um sol bonito. Em algum momento, peguei o celular e comecei a filmá-lo para mandar um vídeo para a Dayana. Não era viagem, festa ou uma data especial. Era só uma hora comum, no meio de uma segunda-feira.
E talvez por isso tenha significado tanto.
O lugar onde eu estaria
Enquanto filmava o Miguel, pensei que, alguns meses antes, eu provavelmente não estaria ali. Estaria em São Paulo, numa reunião, resolvendo algum problema ou olhando o celular para acompanhar o que aparecesse.
Mesmo quando estava em casa, muitas vezes eu não estava completamente em casa. O trabalho continuava perto, dentro do telefone e dentro da cabeça. Sempre havia uma mensagem, uma decisão ou algo que parecia precisar passar por mim.
Naquela segunda-feira foi diferente. Eu tinha me organizado para passar aquela hora com ele. Deixei algumas tarefas rodando com ajuda da IA, fechei o computador e fui jogar bola com meu filho.
Sem culpa.
Essa parte importa. Não fugi do trabalho e não abandonei uma obrigação. Eu escolhi onde colocar uma hora do meu dia.
Uma coisa que deveria ser normal
Para muita gente, jogar bola com o filho numa segunda-feira à tarde pode parecer completamente normal. E deveria ser mesmo.
Para mim, aquela cena carregava os meses anteriores. Eu havia saído da empresa em junho. A decisão trouxe alívio, mas também medo. Meus projetos ainda não sustentam completamente a minha casa. A reserva não vai durar para sempre. Eu ainda preciso vender, construir, testar e fazer essa nova fase funcionar.
Não estou vivendo uma história em que larguei tudo e, de repente, cada dia virou férias. Continuo trabalhando bastante. A diferença é que agora tento construir um trabalho que caiba na vida, em vez de pedir que a vida espere o trabalho terminar.
Naquela hora com o Miguel, essa ideia deixou de ser uma frase e virou uma cena.
A definição antiga
Durante praticamente a vida inteira, pensei em sucesso como dinheiro, cargo alto e poder de decisão. Comecei a trabalhar aos 16 anos, vendendo assinatura de revista. Cresci na carreira comercial, liderei pessoas e virei head.
Eu consegui exatamente aquilo que o Renan de 30 anos queria.
Só que não houve um momento de filme em que sentei numa cadeira, olhei pela janela e pensei que havia vencido. Houve apenas mais trabalho. Mais reunião, mais responsabilidade, mais resultado para entregar e mais medo de perder o que eu tinha conquistado.
O cargo chegou. A sensação que eu esperava encontrar nele, não.
A definição que começou a aparecer
Hoje eu continuo querendo ganhar dinheiro. Quero que os meus projetos deem certo, quero conforto e quero proporcionar coisas boas para a minha família. Não virei uma pessoa contra trabalho. Eu gosto de trabalhar.
O que mudou foi o preço que aceito pagar.
Não quero vender todo o meu tempo para conseguir pagar pela minha vida. Quero ter alguma escolha sobre onde colocar esse tempo. Poder decidir se aquela hora vai para um projeto, um café com a Dayana, um livro, o cuidado com a saúde ou uma partida de pregobola com o Miguel.
Liberdade, para mim, está começando a parecer menos com não trabalhar e mais com poder fazer essa escolha sem desaparecer da própria vida.
Ainda estou construindo
Eu não tenho uma fórmula pronta. Talvez alguns projetos não aconteçam do jeito que imagino. Talvez eu precise ajustar os planos. Talvez, em algum momento, eu volte ao mercado e continue construindo em paralelo. Isso não apagaria o que aprendi.
Estou documentando uma mudança de direção, não uma chegada.
Naquela segunda-feira, duas e meia da tarde, o sol estava bonito e meu filho estava na minha frente. O computador continuaria ali quando eu voltasse. O trabalho também.
Aquela hora, não.
Hoje, sucesso para mim é conseguir estar presente na própria vida enquanto ela acontece.
Imagem criada com IA a partir de uma foto minha. A história e as palavras são minhas.
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