O produto não é o começo. O problema é.
Por que quase todo projeto que morre começou pela solução, não pela dor que devia resolver.

Deixa eu te falar de um jeito de começar que parece produtivo e quase sempre dá errado.
Você tem uma ideia. Fica animado. Abre a ferramenta e começa a construir. As telas vão surgindo, a coisa vai ganhando forma, e cada hora ali dá uma sensação boa de progresso. Semanas depois você tem um produto bonito, funcionando, e aí vem a parte estranha: você percebe que não sabe direito pra quem aquilo é, nem se alguém sentia falta.
Já aconteceu comigo mais de uma vez. E o padrão é sempre o mesmo: comecei pela solução, não pelo problema.
Solução é divertida. Problema é trabalho.
Tem uma razão pra gente pular direto pro produto, e ela é bem humana. Construir é gostoso. Você vê o resultado, controla cada detalhe, e ninguém te contraria. Investigar um problema é o contrário: é sair da sua zona, falar com gente, ouvir coisa que você não queria ouvir, descobrir que a dor que você imaginou não é bem aquela.
Então a gente foge pra parte gostosa e adia a parte que dá trabalho. O detalhe é que a parte que dá trabalho é justamente a que decide se o produto vai ter dono ou não.
O produto responde uma pergunta que ninguém fez
Quando você começa pela solução, você está respondendo uma pergunta antes de ter certeza de que alguém a fez. Às vezes dá sorte e a pergunta existia. Na maioria das vezes, você gasta semanas construindo uma resposta caprichada pra uma pergunta que só existia na sua cabeça.
E o pior é que fica difícil admitir. Depois de tanto tempo investido, você começa a procurar gente pra quem o seu produto serve, em vez de ter partido de gente com um problema. É a ordem invertida, e ela cobra caro. Construir mais não resolve se você não vende, não valida e não cria processo, e nada disso começa no produto. Começa na dor.
Como inverter a ordem
Não precisa de método complicado. Antes de abrir qualquer ferramenta, tenta responder três coisas com honestidade.
Qual é o problema, dito na linguagem de quem tem ele, sem mencionar a sua solução. Se você só consegue descrever falando do seu produto, você ainda não entendeu o problema.
Quem sente esse problema a ponto de já estar tentando resolver de algum jeito, mesmo que de um jeito ruim. Gente que já improvisa uma saída tosca é ouro, porque prova que a dor é real o suficiente pra mexer alguém.
E o que essas pessoas fazem hoje pra contornar. Se a resposta é "nada, elas convivem com isso numa boa", talvez não seja um problema que valha um produto.
Se você não consegue responder essas três, não é hora de construir. É hora de conversar.
Se você já está no meio de um
Talvez você esteja lendo isso com um projeto pela metade, aquele que começou pela empolgação e que agora está te dando uma sensação incômoda de não saber pra onde vai.
Se é assim, não precisa jogar fora. Precisa fazer agora a pergunta que você pulou lá no começo: qual problema real isso resolve, e pra quem que sente essa dor de verdade. Talvez você descubra que está quase lá e faltava só apontar pra pessoa certa. Talvez descubra que precisa mudar. Nos dois casos, é mais barato descobrir agora do que depois de mais um mês construindo.
É esse tipo de conversa, a que vem antes do código, que eu trago aqui e aprofundo toda semana na newsletter. Se faz sentido pra você, é o melhor lugar pra continuar.
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