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Trabalho e liberdade04 de agosto de 2026também enviado por email

Eu consegui tudo o que queria. E continuei correndo.

O cargo chegou, o dinheiro melhorou e a sensação de estar atrasado continuou no mesmo lugar.

Eu consegui tudo o que queria. E continuei correndo.

Este texto também chegou por email para quem assina Notas de uma vida em construção.

Vou ser honesto sobre uma coisa que demorei bastante para admitir: minha carreira não deu errado. Ela deu certo.

Eu queria crescer, ganhar bem, liderar pessoas e chegar a um cargo importante. Comecei a trabalhar aos 16 anos, vendendo assinatura de revista. Passei por empresas de diferentes tamanhos, cresci na área comercial e virei head.

Eu consegui exatamente aquilo que queria. E continuei correndo.

A chegada que não aconteceu

Durante muito tempo, imaginei que determinadas conquistas mudariam alguma coisa dentro de mim. Não era só sobre dinheiro. Era também respeito, segurança e a sensação de que eu tinha provado meu valor.

Quando virei head, não houve aquela grande euforia que a gente aprende a esperar das conquistas. Não sentei na cadeira pensando que finalmente havia vencido. No dia seguinte, havia mais reunião, mais responsabilidade, mais gente dependendo de mim e mais resultado para entregar.

A carreira avançava. A linha de chegada avançava junto.

O problema não era ter ambição. A ambição abriu portas, me ensinou muito e ajudou a construir uma vida melhor. O problema era nunca ter parado para perguntar o que seria suficiente.

O medo de perder

Quanto mais eu conquistava, mais medo tinha de perder. E, quanto mais medo sentia, mais trabalhava para tentar garantir que aquilo continuaria comigo.

Eu tinha salário, cargo e reconhecimento. Olhando de fora, estava no caminho certo. Por dentro, continuava uma angústia difícil de explicar. Eu não tinha um número final, um cargo final ou um ponto em que diminuiria o ritmo.

Eu só continuava.

É possível avançar profissionalmente e, ao mesmo tempo, perceber que o restante da vida não está avançando junto. Foi isso que começou a me incomodar perto dos 40 anos. Eu olhava para a rotina e pensava: estou correndo tanto para chegar onde? E o que estou deixando de viver enquanto corro?

O que o cargo não podia entregar

As coisas que me faziam bem eram muito mais simples do que as metas que eu perseguia.

Sentar no sofá com a Dayana e o Miguel. Jantar e conversar com ela. Brincar com ele, fazê-lo dormir, jogar bola numa quarta-feira. Ler um livro. Estar num evento da família sem consultar o celular a cada cinco minutos. Sentir que estava cuidando do corpo e da cabeça.

Nenhum cargo poderia me dar essas coisas. Pior: a forma como eu estava perseguindo o cargo estava tirando boa parte delas.

Não há nada de errado em querer dinheiro, conforto ou reconhecimento. Eles importam. A vida custa dinheiro e a segurança de uma família não se sustenta com frases bonitas.

Mas dinheiro compra opções. Ele não escolhe a direção.

A pergunta que eu não fazia

Hoje me pergunto com mais frequência se o esforço vale o preço. Vale a pena o dinheiro? Vale a pena a ausência? Vale a pena o reconhecimento de pessoas que talvez nem façam parte da minha vida daqui a dois anos?

Nem toda resposta é não. Há fases em que é preciso trabalhar mais, assumir riscos e fazer sacrifícios. O que mudou foi deixar de tratar todo sacrifício como prova automática de ambição.

Uma vida intencional também exige decidir o que não estamos mais dispostos a vender.

Quanto é suficiente?

Aos 41 anos, ainda quero que meus projetos deem certo. Quero crescer, construir empresas e ganhar dinheiro. Não abandonei a ambição. Estou tentando dar um endereço para ela.

Quero que o trabalho construa liberdade, saúde e presença. Quero que ele sirva à vida que escolhi, em vez de se tornar a única medida dela.

Não sei se existe uma resposta definitiva para “quanto é suficiente?”. Talvez ela mude conforme a vida muda.

O que eu sei é que passar anos correndo sem fazer essa pergunta custa caro demais.

Esta capa foi criada com IA a partir de uma imagem minha. O texto vem da vida real.

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